Havia. Ainda. Há. Tantas coisas. Nas mil e uma coisas que podemos dizer. Fazer. Querer.
Há. Deixou de haver. Os sonhos que se perseguem continuamente. Se os alcançamos? Não há problema teremos outros. Haverá. Sempre. Arranjaremos sempre. Uma forma de querer mais. De estar insatisfeitos. De querermos. O que não temos. Ainda.
Foi assim. Que os sonhos se escapuliram. No momento em que perceberam. Que não mais eram sonhos. Que não mais seriam desejados. Acarinhados. Suavemente.
Nesse único instante. Toda a vida mudou. Sem retorno possível. Quando não escolhemos a estrada que nos trouxe aqui. Ou não nos apercebemos. Eu não percebi. Que os caminhos que tomei me trariam a este presente. Quando os sonhos se escaparam de mim. Estive tentada. A dizer-lhe um adeus. Jovial.
Nesse instante. Único. Em que senti. A lágrima que tocou. O asfalto. Quente do sol. Desejei. Tanto. Não mais ter sonhos. E era um sonho. Não mais ter expectativas. Não mais olhar. Nos olhos. Daqueles que esperam alguma coisa de mim.
Foi assim. Que acordei hoje. Quando os sonhos me fugiram entre os dedos. Para não mais regressar? Aguardo-os ansiosamente.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Retrato biográfico
"Entrou agressiva soltando pequenos coices qual potro desbravando e marcando o seu território mas sem se afastar dos zelosos e complacentes olhares da égua mãe.
Foi destapando algumas feridas abertas por golpes de descarada traição e que iam cicatrizando com sinais de crónica desilusão largando-lhe nos braços obras de orgulho mas de responsabilidade sem limites.
Ia-se percebendo, entretanto, que ainda havia sonhos e preocupações pelos desprezados da sorte ou esquecidos pelos próximos.
Mas era sobretudo visível a sofreguidão com que a vida era sorvida a cada instante como se o mundo condenado não fosse o mesmo no qual mergulhava de olhos fechados em aparente atitude de total e ingénua confiança.
E aqui temos o caldo de um espírito inquieto e sonhador, rebelde e inconveniente, ousado e provocador à procura de um mundo solidário e justo que lhe ceda um pequeno espaço de liberdade e tolerância."
Foi destapando algumas feridas abertas por golpes de descarada traição e que iam cicatrizando com sinais de crónica desilusão largando-lhe nos braços obras de orgulho mas de responsabilidade sem limites.
Ia-se percebendo, entretanto, que ainda havia sonhos e preocupações pelos desprezados da sorte ou esquecidos pelos próximos.
Mas era sobretudo visível a sofreguidão com que a vida era sorvida a cada instante como se o mundo condenado não fosse o mesmo no qual mergulhava de olhos fechados em aparente atitude de total e ingénua confiança.
E aqui temos o caldo de um espírito inquieto e sonhador, rebelde e inconveniente, ousado e provocador à procura de um mundo solidário e justo que lhe ceda um pequeno espaço de liberdade e tolerância."
Serei eu mesmo assim?
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